Artigos autorais

Slam das Minas SP – Uma semente que virou floresta, por Arthur Yuka

Encantamento, sensação de deslumbramento, admiração, grande prazer que se tem como reação a alguma boa qualidade do que se vê, ouve, percebe. O Slam das Minas não fica apenas na sensação, mas é estado de espírito permanente. Impossível passar incólume a força das mulheres que fazem, proclamam, encantam e vivem suas próprias poesias. São quatro anos de um espaço de pertencimento, cumplicidade e admiração umas pelas outras.

Sim, o Slam das Minas é uma pela outra, uma por todas e todas por cada uma das mulheres que vivem em estado de slam. Um lugar de reconhecimento e empoderamento feminino, lugar de amor e paz, de guerra e luta pelo espaço que é delas, reconhecimento para elas. Onde todas são dez, todas as notas são máximas, pois não há distinção na luta, não há vitória individual e nem mundo que se construa sozinha. As mulheres sabem, sábias minas que em suas rimas e batalhas diárias, poetizam de maneira visceral o compartilhamento de um mundo originário delas. O mundo é delas, feito por elas e só funcionará, de fato, quando todos entenderem que são elas as protagonistas de nossas histórias.

O Slam das Minas é uma batalha de poesia feita por mulheres e para mulheres. Onde cada uma tem sua vez e sua voz. E proclamam seus poemas sob os ouvidos atentos de um júri também composto por mulheres, que dão notas de zero a dez. Pelo menos é a premissa, mas o reconhecimento e identificação é tamanho que torna-se normal visualizarmos plaquinhas com 100, 1.000, 10.000. 100.000, 10+10+10, 10! DEZ! Só dez! Sim, não há números para caber tantas vozes. As artistas das palavras expressam o indizível da maioria de nós, gritam os tambores do peito numa batida de milhares de corações calejados e apertados, mas que insistem em bater por elas e pra elas.

Quatorze de março de dois mil e vinte foi o aniversário de quatro anos do Slam das Minas SP, comemorado com estilo na Casa das Rosas. Um movimento que começou gritado no subsolo de um bar na asa norte de Brasília e ganhou o país. Hoje, o mundo e o reconhecimento internacional. A versão paulista foi convidada a participar da Feira do Livro da Língua Portuguesa “Mulheres na Escrita” que acontecerá em julho em Nova Iorque, EUA. A Feira oferece alimentação e hospedagem, às meninas, os custos das passagens e visto. Para isso abriram uma vaquinha virtual que podemos ajudar clicando aqui.

O encantamento em mim permanece, a torcida pela luta delas também. Indigno de falar pelas minas, o que me cabe neste papel é reconhecer meu lugar de privilégio e cede-lo a elas. Desejo a todos a oportunidade de ouvi-las e, além disso, deixa-las dizer. O convite continua aberto, o espaço é de vocês. Asé!

 

Arthur Yuka é escritor, gestor cultural e articulador do Observatório Nacional da Cultura.

A fotografia em destaque é de Patrick Stefanini.

1 comentário

  1. Texto fantástico, Tuka. Espero poder ver um pouco de tudo isto de pertinho. Na torcida para que a pandemia não atrapalhe o projeto e todas as dificuldades de vencermos na vida sem patrocínio, só com talento.

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