Artigos autorais

Existe Ler em SP – Um projeto de amor à leitura, por Arthur Yuka

Quando deparamos com alguma causa ou movimento que reconhecemos como legítimo, normalmente, nosso primeiro pensamento é em como podemos ajudar. Acontece comigo, pode acontecer com você e aconteceu com a Fernanda Gomes, quando se deparou com uma quantidade enorme de livros em mãos e sentiu a necessidade de compartilha-los.

Como já tratado no artigo OBrasil que não lê – A relação com a leitura e a formação de novos leitores, a leitura no Brasil é um assunto quase irrelevante; de fato não somos um país leitor, passamos longe disso. Inclusive, no último relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), o Brasil está estagnado no ranking mundial. A média de proficiência dos jovens brasileiros em letramento* em Leitura, que em 2009 era de 412 pontos, em 2018, data da última avaliação, passou a 413. São dez anos de estagnação de uma Nação inteira nesse sentido; ou seja, continuando neste ritmo, os estudantes brasileiros podem demorar mais de 260 anos para atingir a proficiência dos países apontados no topo do ranking, que possuem médias acima de 500 pontos.

Soma-se a isso o desinteresse do governo em tratar essa questão, como também elucidado no artigo O Brasil que não lê – Políticas Públicas e o papel do Estado, temos uma expectativa quase nula no sentido de melhoria desse cenário. E digo quase, pois são iniciativas como a de Fernanda, com o projeto Existe Ler em SP que, se não é a resposta para o nosso problema crônico, serve como um acalanto à nossas crianças, com expectativa de tornar-se ponte de acesso livre ao livro.

O projeto que começou de maneira pequena e apaixonante encontrou morada em milhares de corações pela rede, e hoje, com três casinhas instaladas e centenas de sorrisos espalhados pela cidade, caminha firme para tornar-se tendência.

“Queria que fosse em lugar público e que fosse uma instalação lúdica, que gerasse curiosidade para que as pessoas interagissem com o espaço. Conversando com algumas pessoas veio à sugestão da casinha de livros. Na hora me apaixonei pela ideia e, naturalmente, pensei que praças seriam o lugar ideal pra abrigá-las. É um espaço público, democrático e ao ar livre, combo que pra mim ganha qualquer discussão”, disse Fernanda Gomes.

Sendo assim, Fernanda semeou pelas praças, esperança em forma de literatura. Sementes essas que brotam nos sorrisos satisfeitos e olhinhos atentos das crianças quando se deparam com os livros tão disponíveis. As casinhas abrigam histórias e sonhos, elaborada em um projeto que, de tão simples, tornou-se viável sua multiplicação. E através de financiamento coletivo, sem apelo político ou privado, doações e muito amor pelo que faz, é possível sua concretização em diversos pontos da cidade, inclusive aberto para reprodução em outros espaços e municípios.

Para espalhar sorrisos e fomentar o acesso ao livro é fácil ajudar. Basta doar qualquer quantia através do financiamento, clicando aqui.

Para doação de livro e/ou contato com a idealizadora do projeto, entre em contato através do https://www.instagram.com/existeleremsp/

* Letramento em Leitura é definido como a capacidade de compreender, usar, avaliar, refletir sobre e envolver-se com textos, a fim de alcançar um objetivo, desenvolver conhecimento e potencial, e participar da sociedade.

Arthur Yuka é escritor, gestor cultural e articulador do Observatório Nacional da Cultura.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: