Artigos autorais

Editorial: ninguém vence o carnaval

As sátiras políticas durante o carnaval remontam ao Império; mas nem todos os políticos reagem bem.

Chegou a quarta-feira de cinzas e com ela chega ao fim o primeiro carnaval pós eleições de 2018, a mais agressiva e violenta desde a redemocratização. Era de se esperar que a maior festa popular do mundo servisse de palco para uma catarse coletiva, tendo a política como alegoria preferida. Os protestos contra o atual governo aconteceram em todas as cidades, assim como aconteceram no passado.

Mas nem tudo são plumas e paetês. Desta vez o Presidente da República reagiu, postando em um perfil de rede social um vídeo onde jovens praticam uma cena escatológica. Segundo Vossa Excelência, a cena seria um símbolo do que se tornaram os blocos de rua no Brasil.

É fato notório que durante o carnaval muitos excessos são cometidos. Inclusive crimes mais graves como estupros, latrocínios e assassinatos. Mas nenhum recebeu menção presidencial. Se o objetivo era denunciar, informamos que o caminho é a Polícia ou o Ministério Público, não as redes sociais. Se o objetivo era atacar a instituição do carnaval para deslegitimar as críticas recebidas, relembramos que governos vêm e vão, mas o carnaval permanece. É melhor levar na esportiva.

Na imagem, os protestos políticos no Carnaval de 1883. Charge de Angelo Agostini.

 

Articulação Nacional
Quarta-feira de cinzas, 2019

 

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